De acordo com um relatório do Centro para Democracia Digital (CDD), as empresas por trás da indústria de streaming, incluindo fabricantes de smart TVs e dispositivos de streaming e provedores de serviços de streaming, desenvolveram um "sistema de vigilância" que há muito tempo prejudica a privacidade e a proteção do consumidor.
O relatório de 48 páginas, intitulado "Como a TV nos observam: "Vigilância Comercial na Era do Streaming", cita técnicas de rastreamento invasivas usadas para agradar anunciantes, tornando as TVs conectadas (CTVs) um "pesadelo de privacidade". O documento pede por regulamentações mais fortes.
O relatório cita a coleta de dados sobre saúde, crianças, raça e interesses políticos. Além do aumento das taxas de assinatura de streaming e da presença de anúncios nesses serviços, o relatório afirma que o crescimento do streaming tem um "custo alto": "Os amplos desenvolvimentos tecnológicos e comerciais dos últimos cinco anos criaram um sistema de mídia e marketing de televisão conectada com capacidades sem precedentes para vigilância e manipulação."
O documento critica as políticas de privacidade "enganosas" com pouca informação sobre métodos de coleta e rastreamento de dados, além do uso de táticas de marketing como identificadores sem cookies e gráficos de identidade que tornam promessas de não coleta ou compartilhamento de dados pessoais "sem sentido".
"Como consequência, comprar uma smart TV no mercado de televisão conectada de hoje é como trazer um cavalo de Tróia digital para dentro de casa", afirma o relatório.
Inteligência artificial generativa preocupa
O relatório do CDD destaca o interesse da indústria de televisões conectadas (CTV) em usar inteligência artificial generativa para reforçar suas capacidades de publicidade direcionada. As abordagens atualmente exploradas podem alterar o que um espectador vê ao transmitir um programa ou filme em comparação com outro.
Por exemplo, a Amazon Web Services e a empresa de tecnologia de publicidade TripleLift estão trabalhando com modelos proprietários e aprendizado de máquina para a colocação dinâmica de produtos em programas de TV transmitidos. O relatório cita um estudo de caso da AWS de 2021, que diz que "novas cenas com exposição de produtos podem ser inseridas em tempo real 'sem interromper a experiência de visualização'".
O uso de inteligência artificial generativa também pode permitir que os anunciantes mostrem elementos diferentes em anúncios, dependendo de quem está transmitindo o anúncio. O relatório cita um post de blog de 2023 da empresa de coleta de dados Experian:
"Algumas ferramentas de IA podem gerar várias versões do mesmo anúncio de CTV - trocando as roupas do ator e elementos de locução como locais de lojas, ofertas locais, códigos promocionais e muito mais - e podem criar até milhares de iterações personalizadas em apenas alguns segundos."
O co-autor do relatório, Chester, expressou preocupação com o fato de as técnicas de IA generativa para coleta de dados de streamers crescerem sem controle, "tornando a regulamentação muito mais difícil".
Coleta de dados gera preocupações com produtos farmacêuticos e política
O relatório detalha preocupações em torno da publicidade de produtos farmacêuticos usando CTVs. Ele observa que os Estados Unidos são "um dos únicos dois países que permitem a publicidade direta ao consumidor de produtos farmacêuticos". A publicidade de medicamentos, argumenta o relatório, "gerou preocupações da comunidade de saúde pública sobre suas técnicas de vendas agressivas, desinformação e práticas enganosas".
Da mesma forma, os autores do relatório descrevem preocupações de que a extensa coleta e rastreamento de dados da indústria de CTV possam ter um impacto político. Afirma que os candidatos políticos poderiam usar esses dados para executar "campanhas personalizadas secretas", aproveitando informações sobre coisas como orientações políticas e "estados emocionais".
O relatório pede uma investigação sobre a indústria de CTV dos EUA, "incluindo questões antitruste, proteção ao consumidor e privacidade".

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