O Departamento de Defesa dos EUA, por meio do Comando de Operações Especiais (SOCOM), está buscando empresas para desenvolver tecnologia de deepfakes com o objetivo de criar perfis online falsos que sejam indistinguíveis de pessoas reais. O objetivo é gerar personas convincentes nas redes sociais e outras plataformas online, com fotos de qualidade que imitam identidades humanas, mas que não existem no mundo real.
O plano detalhado inclui a criação de perfis que possam gerar vídeos "selfies" falsos, com fundos e ambientes virtuais também falsificados, de forma que os algoritmos das redes sociais não detectem que se trata de conteúdo fabricado. Essa tecnologia já foi utilizada anteriormente em campanhas de propaganda nas redes sociais, como em 2022, quando contas falsas foram removidas pelo Meta e Twitter por disseminar interesses dos EUA, e em 2024, quando uma campanha do SOCOM foi exposta por minar a confiança estrangeira nas vacinas da Covid-19 da China.
O SOCOM também demonstrou interesse em usar deepfakes para operações de influência, engano digital e desinformação. Essas imagens e vídeos são criados utilizando técnicas de aprendizado de máquina, como o software StyleGAN, que pode gerar rostos falsos com alta precisão. Essa tecnologia tem sido usada por adversários dos EUA, como Rússia e China, em suas próprias campanhas de desinformação, aumentando as preocupações com a proliferação global dessa prática.
As autoridades americanas já alertaram sobre os perigos do uso de deepfakes por outros países, classificando a tecnologia como uma ameaça crescente à segurança nacional. Em 2023, o NSA, FBI e CISA emitiram um alerta conjunto sobre o risco que deepfakes representam para a tecnologia moderna e as comunicações. A capacidade de adversários estrangeiros de disseminar conteúdos gerados por IA sem detecção é vista como uma ferramenta potencialmente perigosa, capaz de polarizar sociedades e ampliar desinformações.
A ironia dessa busca por deepfakes por parte dos EUA é que o governo condena o uso dessa tecnologia quando praticada por outras nações, mas agora está interessado em usá-la para seus próprios fins. Isso poderia incentivar outros países a seguir o exemplo, aumentando ainda mais o uso dessa tecnologia enganosa no cenário global e criando um ambiente onde será cada vez mais difícil distinguir o que é real e o que é falso.
Especialistas alertam que essa prática poderia desestabilizar ainda mais as relações geopolíticas e prejudicar a confiança pública. Autoridades americanas já expressaram preocupações com o impacto dessa tecnologia no futuro, especialmente se for usada de forma maliciosa para espalhar desinformação e polarizar sociedades. A normalização do uso de deepfakes pode fazer com que as democracias fiquem mais vulneráveis à manipulação.
Enquanto o governo dos EUA tenta equilibrar a transparência e a veracidade das informações públicas com as operações de engano militar, há o risco de que a confiança da população no governo seja ainda mais corroída, especialmente se essas práticas forem expostas. O uso de deepfakes pelos EUA pode ser visto como hipócrita e contraditório, o que pode afetar a confiança tanto doméstica quanto internacional.

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